Inteligência artificial, eficiência energética, sustentabilidade, qualidade, normatização e monitoramento ambiental estarão entre os temas do 10º Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento.
Há lugares que simplesmente recebem eventos.
E há lugares onde determinados eventos fazem sentido porque o próprio território participa da história que está sendo discutida.
Santa Gertrudes pertence à segunda categoria.
Entre os dias 6 e 8 de outubro de 2026, o município receberá o 10º Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento, realizado pela ASPACER e pelo SINCER.
O encontro reunirá profissionais, pesquisadores, especialistas e empresas para discutir tecnologia, processos produtivos, qualidade, sustentabilidade, normatização e os caminhos futuros da indústria cerâmica.
Para quem olha de fora, pode parecer apenas mais um congresso empresarial.
Para quem conhece a importância do polo cerâmico, é muito mais do que isso.
É uma oportunidade de observar para onde está caminhando uma indústria que está diretamente ligada à construção civil, à arquitetura e à vida cotidiana de milhões de brasileiros.
Por que Santa Gertrudes?
Porque a discussão não poderia estar mais próxima de um dos grandes centros brasileiros de produção de revestimentos cerâmicos.
O município e a região formam um ecossistema industrial no qual estão presentes empresas, fornecedores, laboratórios, centros de pesquisa, profissionais e instituições ligados à cadeia cerâmica.
Nesse ambiente, conhecimento não fica restrito à academia.
Ele chega à fábrica.
E da fábrica chega ao produto.
O congresso olha para o futuro
A programação desta décima edição deixa isso bastante claro.
Entre os temas aparecem:
- matérias-primas;
- processos produtivos;
- qualidade;
- normatização;
- tecnologias digitais;
- eficiência energética;
- sustentabilidade;
- avaliação do ciclo de vida;
- monitoramento atmosférico;
- inteligência artificial.
São assuntos que, aparentemente, pertencem ao universo industrial.
Mas basta olhar um pouco mais de perto para perceber que eles chegarão ao consumidor.
O que a inteligência artificial tem a ver com um piso?
Mais do que parece.
A programação do congresso inclui trabalhos relacionados ao uso de raios X e inteligência artificial para prevenção de defeitos em placas cerâmicas.
Imagine uma fábrica capaz de identificar padrões de produção e antecipar possíveis problemas antes que uma quantidade significativa de peças seja afetada.
Isso significa menos perdas.
Mais controle.
Mais eficiência.
E, potencialmente, maior estabilidade na qualidade do produto.
A inteligência artificial, nesse caso, não aparece como uma ferramenta abstrata.
Ela entra diretamente no processo industrial.
Sustentabilidade deixa de ser discurso
Outro ponto importante é a presença da sustentabilidade como tema técnico.
O congresso terá uma sessão dedicada ao assunto, além de discussões envolvendo avaliação do ciclo de vida e monitoramento atmosférico.
Isso representa uma mudança importante.
Durante muito tempo, sustentabilidade foi tratada principalmente como comunicação institucional.
Agora, ela passa a ser discutida em termos de:
energia.
emissões.
matéria-prima.
eficiência.
reaproveitamento.
processos.
ciclo de vida.
Ou seja, deixa de ser apenas uma ideia e passa a ser uma questão de engenharia.
A questão energética
A indústria cerâmica depende de energia térmica.
A transformação da matéria-prima em produto envolve processos de secagem e queima.
Portanto, eficiência energética possui impacto direto sobre custos, competitividade e sustentabilidade.
Não é coincidência que o congresso também inclua debates relacionados a energia e eficiência térmica.
Quando uma indústria consegue utilizar melhor a energia necessária para fabricar determinado produto, existe uma cadeia inteira beneficiada.
Monitoramento ambiental
Outro tema particularmente relevante para Santa Gertrudes é o monitoramento atmosférico.
A programação do congresso inclui estudo sobre monitoramento atmosférico para avaliação de MP10 no Polo Cerâmico de Santa Gertrudes.
Isso mostra como a discussão ambiental está se tornando cada vez mais baseada em dados.
Monitorar significa medir.
Medir significa compreender.
Compreender permite corrigir.
E corrigir permite desenvolver processos melhores.
O que tudo isso tem a ver com o consumidor?
Tudo.
Quando alguém escolhe um porcelanato, geralmente pensa em:
cor;
formato;
acabamento;
preço.
São decisões legítimas.
Mas existe uma dimensão que normalmente fica invisível: como aquele produto foi produzido.
A qualidade percebida pelo consumidor é resultado de uma cadeia de decisões industriais.
Controle da matéria-prima.
Controle dimensional.
Queima.
Decoração.
Classificação.
Ensaios.
Embalagem.
Logística.
Instalação.
A indústria começa muito antes da caixa chegar à loja.
Qualidade também virou assunto de transparência
Essa preocupação aparece inclusive no varejo.
Em 2026, a ANFACER apresentou o Selo de Qualidade da Cerâmica para o Varejo, desenvolvido para facilitar a identificação de produtos participantes do Programa Setorial da Qualidade.
O programa envolve testes laboratoriais e auditorias relacionados a requisitos de desempenho.
Isso é relevante porque aproxima uma discussão técnica do consumidor.
Em outras palavras: a informação técnica começa a sair do laboratório e chegar à loja.
O congresso também fala sobre pessoas
Existe uma dimensão que não aparece apenas nas máquinas.
Uma indústria tecnologicamente avançada precisa de profissionais capazes de compreender e operar essa tecnologia.
Por isso, encontros técnicos têm uma função que vai muito além das palestras.
Eles aproximam:
indústria;
universidades;
laboratórios;
fornecedores;
pesquisadores;
engenheiros;
técnicos;
profissionais de mercado.
A própria ASPACER define o congresso como um espaço para integração entre indústria e instituições e para o desenvolvimento tecnológico e sustentável da cadeia.
Dez edições de transformação
Chegar à décima edição também possui significado.
O congresso acompanha há duas décadas a evolução da indústria cerâmica.
E a própria programação demonstra como o setor mudou.
De processos industriais e equipamentos para inteligência artificial, sustentabilidade, avaliação do ciclo de vida e monitoramento ambiental.
A cerâmica continua sendo cerâmica.
Mas a indústria que a produz está muito diferente.
O futuro do porcelanato não está apenas no desenho
Essa talvez seja a principal conclusão.
Quando o consumidor vê um porcelanato marmorizado, ele enxerga o desenho.
Quando um arquiteto especifica um grande formato, ele enxerga proporção e estética.
Quando uma fábrica produz aquela peça, existe uma cadeia tecnológica inteira por trás.
O futuro desse mercado será determinado pela capacidade de unir essas dimensões: design + tecnologia + desempenho + eficiência + sustentabilidade.
É justamente essa conversa que Santa Gertrudes receberá em outubro.
E existe algo simbólico nisso.
Uma cidade que construiu parte de sua identidade econômica sobre a cerâmica agora se transforma novamente em espaço de discussão sobre o futuro dela.
A indústria não está olhando apenas para o próximo lançamento.
Está olhando para os próximos anos.
E, de certa maneira, para o próximo capítulo da própria história.
Revista Baratão — Estamos onde o porcelanato acontece.