Informação e Cultura

11 de setembro de 2026

Agora em Brasília:

Santa Gertrudes recebe congresso que coloca o futuro da indústria cerâmica no centro do debate

Inteligência artificial, eficiência energética, sustentabilidade, qualidade, normatização e monitoramento ambiental estarão entre os temas do 10º Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento.

Há lugares que simplesmente recebem eventos.

E há lugares onde determinados eventos fazem sentido porque o próprio território participa da história que está sendo discutida.

Santa Gertrudes pertence à segunda categoria.

Entre os dias 6 e 8 de outubro de 2026, o município receberá o 10º Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento, realizado pela ASPACER e pelo SINCER.

O encontro reunirá profissionais, pesquisadores, especialistas e empresas para discutir tecnologia, processos produtivos, qualidade, sustentabilidade, normatização e os caminhos futuros da indústria cerâmica.

Para quem olha de fora, pode parecer apenas mais um congresso empresarial.

Para quem conhece a importância do polo cerâmico, é muito mais do que isso.

É uma oportunidade de observar para onde está caminhando uma indústria que está diretamente ligada à construção civil, à arquitetura e à vida cotidiana de milhões de brasileiros.

Por que Santa Gertrudes?

Porque a discussão não poderia estar mais próxima de um dos grandes centros brasileiros de produção de revestimentos cerâmicos.

O município e a região formam um ecossistema industrial no qual estão presentes empresas, fornecedores, laboratórios, centros de pesquisa, profissionais e instituições ligados à cadeia cerâmica.

Nesse ambiente, conhecimento não fica restrito à academia.

Ele chega à fábrica.

E da fábrica chega ao produto.

O congresso olha para o futuro

A programação desta décima edição deixa isso bastante claro.

Entre os temas aparecem:

  • matérias-primas;
  • processos produtivos;
  • qualidade;
  • normatização;
  • tecnologias digitais;
  • eficiência energética;
  • sustentabilidade;
  • avaliação do ciclo de vida;
  • monitoramento atmosférico;
  • inteligência artificial.

São assuntos que, aparentemente, pertencem ao universo industrial.

Mas basta olhar um pouco mais de perto para perceber que eles chegarão ao consumidor.

O que a inteligência artificial tem a ver com um piso?

Mais do que parece.

A programação do congresso inclui trabalhos relacionados ao uso de raios X e inteligência artificial para prevenção de defeitos em placas cerâmicas.

Imagine uma fábrica capaz de identificar padrões de produção e antecipar possíveis problemas antes que uma quantidade significativa de peças seja afetada.

Isso significa menos perdas.

Mais controle.

Mais eficiência.

E, potencialmente, maior estabilidade na qualidade do produto.

A inteligência artificial, nesse caso, não aparece como uma ferramenta abstrata.

Ela entra diretamente no processo industrial.

Sustentabilidade deixa de ser discurso

Outro ponto importante é a presença da sustentabilidade como tema técnico.

O congresso terá uma sessão dedicada ao assunto, além de discussões envolvendo avaliação do ciclo de vida e monitoramento atmosférico.

Isso representa uma mudança importante.

Durante muito tempo, sustentabilidade foi tratada principalmente como comunicação institucional.

Agora, ela passa a ser discutida em termos de:

energia.

emissões.

matéria-prima.

eficiência.

reaproveitamento.

processos.

ciclo de vida.

Ou seja, deixa de ser apenas uma ideia e passa a ser uma questão de engenharia.

A questão energética

A indústria cerâmica depende de energia térmica.

A transformação da matéria-prima em produto envolve processos de secagem e queima.

Portanto, eficiência energética possui impacto direto sobre custos, competitividade e sustentabilidade.

Não é coincidência que o congresso também inclua debates relacionados a energia e eficiência térmica.

Quando uma indústria consegue utilizar melhor a energia necessária para fabricar determinado produto, existe uma cadeia inteira beneficiada.

Monitoramento ambiental

Outro tema particularmente relevante para Santa Gertrudes é o monitoramento atmosférico.

A programação do congresso inclui estudo sobre monitoramento atmosférico para avaliação de MP10 no Polo Cerâmico de Santa Gertrudes.

Isso mostra como a discussão ambiental está se tornando cada vez mais baseada em dados.

Monitorar significa medir.

Medir significa compreender.

Compreender permite corrigir.

E corrigir permite desenvolver processos melhores.

O que tudo isso tem a ver com o consumidor?

Tudo.

Quando alguém escolhe um porcelanato, geralmente pensa em:

cor;

formato;

acabamento;

preço.

São decisões legítimas.

Mas existe uma dimensão que normalmente fica invisível: como aquele produto foi produzido.

A qualidade percebida pelo consumidor é resultado de uma cadeia de decisões industriais.

Controle da matéria-prima.

Controle dimensional.

Queima.

Decoração.

Classificação.

Ensaios.

Embalagem.

Logística.

Instalação.

A indústria começa muito antes da caixa chegar à loja.

Qualidade também virou assunto de transparência

Essa preocupação aparece inclusive no varejo.

Em 2026, a ANFACER apresentou o Selo de Qualidade da Cerâmica para o Varejo, desenvolvido para facilitar a identificação de produtos participantes do Programa Setorial da Qualidade.

O programa envolve testes laboratoriais e auditorias relacionados a requisitos de desempenho.

Isso é relevante porque aproxima uma discussão técnica do consumidor.

Em outras palavras: a informação técnica começa a sair do laboratório e chegar à loja.

O congresso também fala sobre pessoas

Existe uma dimensão que não aparece apenas nas máquinas.

Uma indústria tecnologicamente avançada precisa de profissionais capazes de compreender e operar essa tecnologia.

Por isso, encontros técnicos têm uma função que vai muito além das palestras.

Eles aproximam:

indústria;

universidades;

laboratórios;

fornecedores;

pesquisadores;

engenheiros;

técnicos;

profissionais de mercado.

A própria ASPACER define o congresso como um espaço para integração entre indústria e instituições e para o desenvolvimento tecnológico e sustentável da cadeia.

Dez edições de transformação

Chegar à décima edição também possui significado.

O congresso acompanha há duas décadas a evolução da indústria cerâmica.

E a própria programação demonstra como o setor mudou.

De processos industriais e equipamentos para inteligência artificial, sustentabilidade, avaliação do ciclo de vida e monitoramento ambiental.

A cerâmica continua sendo cerâmica.

Mas a indústria que a produz está muito diferente.

O futuro do porcelanato não está apenas no desenho

Essa talvez seja a principal conclusão.

Quando o consumidor vê um porcelanato marmorizado, ele enxerga o desenho.

Quando um arquiteto especifica um grande formato, ele enxerga proporção e estética.

Quando uma fábrica produz aquela peça, existe uma cadeia tecnológica inteira por trás.

O futuro desse mercado será determinado pela capacidade de unir essas dimensões: design + tecnologia + desempenho + eficiência + sustentabilidade.

É justamente essa conversa que Santa Gertrudes receberá em outubro.

E existe algo simbólico nisso.

Uma cidade que construiu parte de sua identidade econômica sobre a cerâmica agora se transforma novamente em espaço de discussão sobre o futuro dela.

A indústria não está olhando apenas para o próximo lançamento.

Está olhando para os próximos anos.

E, de certa maneira, para o próximo capítulo da própria história.

Revista Baratão — Estamos onde o porcelanato acontece.

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