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23 de setembro de 2026

Agora em Brasília:

CCB: por que o Centro Cerâmico do Brasil é tão importante para a indústria cerâmica nacional?

Quando alguém compra um porcelanato, normalmente enxerga apenas o produto final.

Uma caixa, uma cor, uma textura, um formato.

Mas existe uma história muito maior por trás daquela peça.

Como saber se o produto atende aos requisitos técnicos? Como medir sua qualidade? Como comparar resultados entre fabricantes e laboratórios? Como desenvolver novas tecnologias e melhorar os processos industriais?

É nesse universo que entra o Centro Cerâmico do Brasil, o CCB.

Criado em 1993, o CCB é uma entidade privada sem fins lucrativos dedicada ao desenvolvimento tecnológico, à certificação, aos ensaios laboratoriais, à pesquisa, à inovação, à capacitação e à avaliação da conformidade de produtos e sistemas relacionados à indústria cerâmica e à construção civil.

E existe um detalhe que torna essa história especialmente importante para nós: o CCB está em Santa Gertrudes.

Uma das principais estruturas brasileiras de conhecimento e avaliação tecnológica da indústria cerâmica está instalada justamente no coração de um dos mais importantes polos de revestimentos do país.

CCB não é apenas um laboratório

Quando se fala em CCB, é comum pensar imediatamente em ensaios.

Eles realmente são uma parte importante da instituição, mas o trabalho é muito mais amplo.

O CCB atua em diferentes frentes, incluindo:

  • certificação de produtos;
  • ensaios laboratoriais;
  • avaliação da conformidade;
  • pesquisa e desenvolvimento;
  • inovação tecnológica;
  • capacitação profissional;
  • sustentabilidade;
  • assistência técnica;
  • programas de ensaio de proficiência.

A instituição também atua como Organismo de Avaliação da Conformidade acreditado pelo Inmetro, dentro dos escopos para os quais possui reconhecimento.

E essa informação ajuda a compreender o verdadeiro papel do CCB.

Ele faz parte da infraestrutura técnica que ajuda a dar confiabilidade ao mercado.

Afinal, o que significa avaliação da conformidade?

A expressão pode parecer complicada, mas a ideia é relativamente simples.

Avaliar a conformidade significa verificar, por meio de procedimentos e critérios técnicos estabelecidos, se determinado produto ou sistema atende aos requisitos aplicáveis.

Existe uma diferença enorme entre dizer: “Este produto é bom.”

e demonstrar, por meio de ensaios, auditorias, medições e procedimentos técnicos, que determinadas características estão de acordo com requisitos previamente definidos.

É nesse espaço entre a afirmação e a comprovação que organismos de avaliação da conformidade desempenham seu papel.

E onde entra o Inmetro?

Para entender o CCB, também é importante entender o papel do Inmetro — Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia.

O Inmetro participa da estrutura brasileira de avaliação da conformidade e da acreditação de organismos.

Isso não significa que o Inmetro teste pessoalmente cada porcelanato fabricado no Brasil.

A lógica é outra.

O sistema reconhece a competência de organismos que executam determinadas atividades de avaliação da conformidade dentro de requisitos técnicos estabelecidos.

No caso do CCB, sua acreditação permite que a instituição atue em determinados escopos de certificação e avaliação da conformidade.

É uma estrutura que ajuda a criar confiança entre indústria, mercado e consumidor.

Onde entram os ensaios?

Uma indústria pode olhar para uma peça e avaliar sua aparência.

Um laboratório precisa ir muito além disso.

É necessário medir características, comparar resultados e verificar se determinados requisitos são atendidos.

O LabCCB possui infraestrutura para realizar ensaios em diferentes materiais e sistemas da construção civil, incluindo produtos cerâmicos.

Isso permite avaliar propriedades que não podem ser determinadas simplesmente olhando para uma peça.

É aí que a ciência começa a participar daquilo que, para o consumidor, parece apenas um produto.

O CCB também certifica produtos

A certificação é outra atividade importante.

O CCB atua desde 1996 na certificação de produtos e, desde 1998, na certificação de sistemas de gestão da qualidade.

Entre seus escopos estão produtos como:

  • placas cerâmicas para revestimento;
  • telhas cerâmicas;
  • blocos cerâmicos;
  • telhas de concreto;

além de sistemas de gestão da qualidade e gestão ambiental.

Isso significa que a atuação do CCB acompanha diferentes etapas da cadeia da construção.

E existe uma ligação direta com o PSQ

Talvez uma das atividades mais importantes para quem compra revestimentos seja a participação do CCB no Programa Setorial da Qualidade de Placa Cerâmica e Porcelanato — PSQ.

O programa busca promover a conformidade dos produtos e combater a não conformidade sistemática no mercado.

A ANFACER atua como entidade setorial mantenedora do programa, enquanto o CCB exerce a função de Entidade Gestora Técnica, realizando atividades técnicas de avaliação e controle da conformidade.

Os números ajudam a dimensionar esse trabalho.

Segundo informações divulgadas pela ANFACER, o PSQ apresenta indicador médio superior a 98% de qualidade setorial, reúne 52 empresas participantes, representando aproximadamente 90% da produção nacional, além de registrar milhares de amostras e ensaios realizados.

Ou seja, existe uma estrutura permanente de acompanhamento da qualidade.

Por que isso é importante para a indústria?

Porque qualidade não beneficia apenas quem compra.

Também protege quem produz corretamente.

Imagine duas empresas disputando o mesmo mercado.

Uma investe em matéria-prima, controle de processo, laboratório, tecnologia e conformidade.

Outra tenta competir apenas pelo menor custo.

Se não existirem mecanismos capazes de identificar diferenças de desempenho e conformidade, o fabricante que investe em qualidade pode acabar sendo prejudicado.

Programas setoriais ajudam a criar referências técnicas para o mercado.

Isso contribui para uma competição mais equilibrada e para a valorização da indústria que investe em qualidade.

O CCB também ajuda a indústria a olhar para o futuro

Talvez essa seja uma das partes menos conhecidas do trabalho do Centro Cerâmico do Brasil.

O CCB não atua somente depois que o produto está pronto.

A instituição também trabalha com pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica.

Em Santa Gertrudes, o CITEC/CCB mantém estrutura voltada à pesquisa e ao desenvolvimento de produtos cerâmicos, à aproximação entre empresas e universidades, à formação de profissionais, à assistência técnica e ao desenvolvimento de novas soluções.

Existe também atuação relacionada a produtos, design e inovação.

Isso significa que o CCB não olha apenas para aquilo que a indústria produz hoje.

Também ajuda a pensar no que ela poderá produzir amanhã.

Por que Santa Gertrudes é tão importante nessa história?

O CCB mantém sua sede própria em Santa Gertrudes desde 2015.

A localização é estratégica.

Aqui existe uma concentração de fabricantes, fornecedores, profissionais, instituições de ensino, entidades setoriais e empresas ligadas à cadeia cerâmica.

É o que podemos chamar de ecossistema industrial.

Não se trata simplesmente de muitas fábricas próximas umas das outras.

Existe uma rede de conhecimento, fornecedores, tecnologia, mão de obra especializada e instituições de apoio.

O CCB faz parte dessa rede.

E isso ajuda a explicar por que Santa Gertrudes não é apenas um grande centro de produção.

É também um centro de conhecimento cerâmico.

CCB, ANFACER e ASPACER não são a mesma coisa

É importante fazer essa distinção.

A ANFACER possui atuação nacional e representa os fabricantes de cerâmica para revestimentos, louças sanitárias e segmentos relacionados.

A ASPACER representa as cerâmicas de revestimento do Estado de São Paulo e atua institucionalmente em questões relacionadas ao setor paulista.

O CCB possui uma atuação predominantemente tecnológica e de avaliação da conformidade, envolvendo certificação, ensaios, pesquisa, inovação, capacitação e suporte técnico.

São instituições diferentes, com funções diferentes.

Mas suas atividades se encontram em diversos pontos da cadeia.

O próprio PSQ é um bom exemplo dessa integração.

A qualidade também depende de quem instala

Existe outro aspecto importante que muitas vezes passa despercebido.

A qualidade de um revestimento não termina na fábrica.

Um produto pode ser corretamente produzido e ainda apresentar problemas se for especificado ou instalado de maneira inadequada.

Por isso, os ensaios relacionados à aderência e ao desempenho dos sistemas de revestimento também são importantes.

E aqui aparece uma notícia bastante atual.

Em 2026, o CCB realizou o primeiro Programa de Ensaio de Proficiência de Aderência, reunindo 21 laboratórios de diferentes regiões do Brasil.

A iniciativa permite comparar resultados e avaliar a competência técnica dos laboratórios na realização de ensaios relacionados à aderência de revestimentos cerâmicos.

Pode parecer um assunto distante para quem está reformando uma casa.

Mas não é.

Quanto mais confiáveis forem as medições realizadas pelos laboratórios, maior será a qualidade da informação disponível para a cadeia da construção.

O que é um programa de ensaio de proficiência?

Imagine vários laboratórios realizando o mesmo tipo de ensaio.

Se os resultados forem muito diferentes entre si, alguma coisa precisa ser investigada.

Pode haver diferenças de equipamentos, procedimentos ou execução.

Os programas de proficiência permitem justamente essa comparação.

Eles ajudam a verificar se diferentes laboratórios conseguem produzir resultados tecnicamente confiáveis e comparáveis.

É uma espécie de controle de qualidade do próprio sistema de medição.

E o CCB possui atuação específica nessa área.

Sustentabilidade também faz parte da discussão

A indústria cerâmica está passando por uma transformação tecnológica que envolve não apenas produtos, mas também processos.

Energia.

Água.

Matérias-primas.

Resíduos.

Emissões.

Eficiência.

Tudo isso passou a fazer parte da discussão sobre competitividade.

O CCB também atua em áreas relacionadas à sustentabilidade e ao meio ambiente, incluindo avaliações ambientais e atividades de monitoramento e suporte técnico.

Isso acompanha uma mudança maior da indústria.

Sustentabilidade deixou de ser apenas uma questão de comunicação.

Cada vez mais, precisa ser medida.

E o que tudo isso significa para quem compra um porcelanato?

Talvez o consumidor nunca visite um laboratório do CCB.

Provavelmente nunca verá um ensaio sendo realizado.

Não precisa conhecer todas as normas técnicas nem interpretar um relatório laboratorial.

Mas ele se beneficia de toda essa estrutura.

Porque, quando existe uma infraestrutura técnica capaz de testar, medir, certificar e comparar produtos, o mercado ganha algo fundamental: confiança.

É a diferença entre simplesmente acreditar em uma promessa e ter uma estrutura técnica por trás dela.

O porcelanato é muito mais do que uma peça bonita

A próxima vez que você entrar em uma loja e olhar uma caixa de porcelanato, vale lembrar disso.

Por trás daquela superfície podem existir:

pesquisa;

desenvolvimento;

matérias-primas;

controle industrial;

ensaios;

normas técnicas;

certificação;

tecnologia;

profissionais especializados;

laboratórios;

e uma cadeia inteira trabalhando para que aquele produto chegue ao mercado.

Grande parte disso é invisível para quem compra.

Mas é justamente essa estrutura invisível que ajuda a transformar uma indústria em um setor tecnológico.

O futuro da cerâmica passa pelo conhecimento

A Cersaie 2026, em Bolonha, mostra ao mundo novas possibilidades de design, formatos, superfícies e aplicações.

O setor brasileiro acompanha essas transformações.

E, em Santa Gertrudes, instituições como o CCB ajudam a construir a base tecnológica necessária para que a indústria nacional também avance.

Essa talvez seja uma das histórias mais interessantes do nosso polo cerâmico.

Santa Gertrudes não produz apenas milhões de metros quadrados de revestimentos.

Também concentra conhecimento, tecnologia, pesquisa e instituições que ajudam a elevar o padrão da indústria.

E isso muda a maneira como devemos olhar para um simples porcelanato.

Porque aquela peça que parece apenas uma superfície decorativa é, na verdade, o resultado de uma cadeia tecnológica muito maior.

O CCB ajuda justamente a construir essa ponte entre conhecimento, indústria, qualidade e mercado.

E, quando essa ponte funciona, quem ganha não é apenas o fabricante.

Ganha toda a indústria cerâmica brasileira — e também quem coloca esse produto dentro de casa.

Revista Baratão — Estamos onde o porcelanato acontece.

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1 de outubro de 2026