Escolha do piso

11 de setembro de 2026

Agora em Brasília:

A nova decoração das paredes: por que cor e textura voltaram a ganhar espaço

Depois de anos dominados por ambientes extremamente neutros e superfícies lisas, a decoração contemporânea começa a recuperar aquilo que talvez tenha ficado de lado: matéria, cor, textura e personalidade.

Durante algum tempo, parecia que o caminho natural da decoração seria cada vez mais branco, bege, cinza, minimalista e perfeitamente uniforme.

O neutro ganhou força.

O concreto aparente virou linguagem.

O cimento queimado se espalhou.

Grandes superfícies lisas dominaram projetos contemporâneos.

Mas alguma coisa começou a mudar.

Em 2026, diferentes referências de arquitetura e interiores apontam para uma valorização crescente da materialidade, das texturas, das cores mais quentes e de superfícies que produzem uma experiência não apenas visual, mas também tátil. A própria leitura de tendências da CASACOR São Paulo 2026 destaca a importância crescente de texturas, cores, tecidos e materiais na construção da sensação de conforto dos espaços.

A parede voltou a querer participar da conversa.

O fim dos ambientes neutros?

Não.

E essa distinção é importante.

O que está mudando não é a existência dos ambientes neutros.

É o uso excessivo do neutro como única linguagem.

Um ambiente completamente bege pode ser sofisticado.

Um ambiente branco pode ser extremamente elegante.

O problema aparece quando todos os elementos possuem exatamente o mesmo nível de neutralidade.

A decoração começa a perder profundidade.

É aí que entram as texturas, os relevos, as cores e as diferentes materialidades.

A textura voltou a ser protagonista

Uma parede texturizada faz algo que uma superfície perfeitamente lisa não consegue fazer da mesma maneira: ela reage à luz.

Ao longo do dia, a iluminação muda.

O sol entra por uma janela.

Uma luminária é acesa.

Uma luz indireta percorre a parede.

O relevo produz sombras.

A superfície muda.

Por isso, texturas não são apenas decoração.

Elas podem funcionar como arquitetura da luz.

É uma das razões pelas quais revestimentos com relevos, caneluras, ondulações e superfícies que lembram materiais naturais aparecem com força nas tendências de 2026.

O retorno das cores

Outra transformação importante é a volta da cor.

Terracota, verdes, azuis, marrons, tons de barro e outras tonalidades naturais aparecem cada vez mais em projetos.

O objetivo não é necessariamente criar um ambiente colorido.

É criar um ambiente com temperatura emocional.

Uma cozinha com revestimento verde pode produzir uma sensação completamente diferente daquela criada por uma cozinha branca.

Um lavabo terracota pode parecer mais acolhedor.

Um revestimento azul profundo pode criar dramaticidade.

Uma parede de tom areia pode reforçar a sensação de naturalidade.

Cor é linguagem.

Como usar cor sem cansar?

A regra mais segura é entender que cor não precisa ocupar o ambiente inteiro.

Uma única parede pode ser suficiente.

Um backsplash pode ser suficiente.

Uma área de banho pode ser suficiente.

Um nicho pode ser suficiente.

É justamente aí que entra o conceito de ponto focal.

Em vez de transformar tudo em protagonista, escolhe-se um elemento para receber atenção.

O restante do ambiente funciona como suporte.

Textura + cor: combinação poderosa

Imagine um revestimento verde profundo com leve relevo.

A luz cria pequenas sombras.

A cor absorve parte da luminosidade.

A textura acrescenta profundidade.

Agora imagine esse revestimento combinado com madeira clara e metais escovados.

A composição passa a ter três dimensões: cor + matéria + luz.

É essa combinação que torna determinados ambientes tão interessantes.

E o rejunte?

Um dos elementos mais subestimados da decoração cerâmica é o rejunte.

Ele pode desaparecer ou aparecer.

Pode criar continuidade ou destacar cada peça.

Um rejunte semelhante à cor do revestimento suaviza a paginação.

Um rejunte contrastante torna as peças mais evidentes.

Isso significa que a escolha da peça não deveria ser feita sem pensar na junta.

A paginação é uma composição gráfica.

O tamanho também muda a leitura

Um revestimento pequeno produz uma determinada escala visual.

Uma peça grande produz outra.

Uma paginação diagonal produz outra.

Uma composição em espinha de peixe produz outra.

Um revestimento artesanal irregular produz outra.

Portanto, falar de “revestimento bonito” sem falar de paginação é incompleto.

A peça é apenas uma parte da imagem.

Onde as texturas funcionam especialmente bem?

Lavabos

São ambientes pequenos, mas excelentes para experimentação.

Como normalmente possuem menor área, é possível usar uma superfície mais marcante sem sobrecarregar o restante da casa.

Cozinhas

Uma parede de destaque pode transformar completamente o ambiente.

O revestimento pode conversar com marcenaria, bancada e iluminação.

Áreas gourmet

Aqui existe espaço para materiais que remetem à pedra, terra, madeira e natureza.

Cabeceiras

Uma parede texturizada atrás da cama pode substituir elementos decorativos e criar profundidade.

Halls

É uma oportunidade para criar uma primeira impressão forte.

O retorno do artesanal

Uma das tendências mais interessantes não é exatamente a volta de um produto específico.

É a valorização da imperfeição controlada.

Peças que parecem feitas à mão.

Superfícies que apresentam pequenas variações.

Texturas que lembram processos artesanais.

Materiais que não tentam esconder sua origem.

Esse movimento está relacionado a uma busca maior por ambientes acolhedores e menos industrialmente “perfeitos”.

A arquitetura começa a valorizar novamente aquilo que o olho e a mão reconhecem como matéria.

O natural também ganhou força

Madeira, pedra, terra, areia e vegetação continuam aparecendo como referências importantes.

Isso não significa necessariamente utilizar materiais naturais.

O porcelanato permite reinterpretar essas linguagens com tecnologias industriais.

O resultado é uma espécie de diálogo: natureza como inspiração; tecnologia como ferramenta.

É justamente por isso que porcelanatos que reproduzem pedras, madeiras e minerais continuam relevantes.

O consumidor está mudando?

Em certa medida, sim.

A casa deixou de ser vista apenas como cenário.

Ela passou a ser compreendida como experiência.

Isso ajuda a explicar por que conforto visual, iluminação, textura e sensação tátil ganharam importância.

Um material não precisa apenas “ficar bonito”.

Ele precisa ajudar a produzir uma determinada experiência de permanência.

Como aplicar essa tendência sem transformar a casa em uma vitrine?

Uma boa estratégia é trabalhar com hierarquia.

Escolha: 1 elemento protagonista.

Depois: 2 ou 3 elementos de apoio.

E deixe o restante mais silencioso.

Por exemplo:

  • parede texturizada;
  • piso neutro;
  • madeira;
  • iluminação indireta.

Ou:

  • revestimento colorido;
  • marcenaria neutra;
  • bancada mineral;
  • metais discretos.

O segredo não está em colocar mais.

Está em escolher melhor.

A nova sofisticação

Talvez a maior mudança seja justamente essa.

A sofisticação contemporânea não precisa gritar.

Ela pode aparecer na textura que só se revela quando a luz muda.

Na cor que parece diferente pela manhã e à noite.

No revestimento que lembra uma pedra.

Na imperfeição que torna a superfície mais humana.

Na combinação entre tecnologia e natureza.

Em 2026, as tendências de revestimentos apontam para grandes formatos, superfícies naturais, texturas, tons terrosos e materiais que produzem mais sensorialidade.

Mas tendência não deveria ser uma ordem.

Deveria ser uma ferramenta.

Porque a melhor decoração não é aquela que parece ter saído de uma feira.

É aquela que parece ter sido feita para quem vive naquele espaço.

Revista Baratão — porque revestimento também é cultura, arquitetura e comportamento.

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