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23 de setembro de 2026

Agora em Brasília:

Cersaie 2026: o que está acontecendo em Bolonha e o que as novas tendências revelam sobre o futuro dos revestimentos

Há feiras que apresentam produtos.

E há feiras que ajudam a explicar para onde um setor está caminhando.

A Cersaie, realizada em Bolonha, na Itália, pertence à segunda categoria.

A 43ª edição da International Exhibition of Ceramic Tile and Bathroom Furnishings acontece de 21 a 25 de setembro de 2026 e reúne fabricantes, arquitetos, designers, especificadores e profissionais de diversos países em torno da cerâmica, dos revestimentos e das superfícies para arquitetura.

E existe uma razão para o mercado brasileiro acompanhar com tanta atenção o que acontece na Itália.

O que aparece em Bolonha nem sempre chega imediatamente às lojas brasileiras.

Mas a feira ajuda a revelar quais ideias estão ganhando força no design de superfícies.

E, em 2026, uma coisa parece especialmente clara: a cerâmica está deixando de ser apenas revestimento e está se tornando cada vez mais parte da linguagem da arquitetura.

O que está chamando atenção na Cersaie 2026?

A primeira impressão das publicações que chegam de Bolonha é de diversidade.

Não existe uma única tendência dominando os pavilhões.

Ao contrário.

Grandes superfícies convivem com pequenos formatos.

Neutros dividem espaço com cores profundas.

Pedras aparecem ao lado de superfícies abstratas.

Texturas e relevos ganham importância.

E materiais que antes eram utilizados para simplesmente “imitar” outros começam a ser apresentados de maneira mais autoral.

O conceito oficial da edição de 2026 — “A space for architectural design” — reforça justamente essa ideia de pensar a cerâmica dentro de um contexto maior de arquitetura e espaço.

A cerâmica está ficando mais tátil

Durante muito tempo, a principal competição entre fabricantes estava relacionada à qualidade da impressão.

Quanto mais realista o porcelanato parecia, melhor.

Isso continua importante.

Mas o mercado está avançando.

Agora, não basta parecer pedra.

A superfície quer transmitir a sensação de pedra.

Não basta reproduzir uma textura.

A textura passa a participar da experiência do ambiente.

Coleções apresentadas para a Cersaie 2026 exploram relevos, volumes, superfícies tridimensionais, efeitos minerais e diferentes respostas à luz.

É uma mudança importante.

O revestimento deixa de ser apenas algo que os olhos observam.

Passa a ser também algo que o ambiente “sente”.

Relevos e tridimensionalidade

Uma das tendências que merece atenção é o retorno das superfícies tridimensionais.

Em determinadas coleções, o revestimento ganha volume.

A luz cria sombras.

A sombra cria profundidade.

E a parede deixa de ser um plano neutro.

A Quintessenza, por exemplo, apresenta na edição de 2026 propostas com superfícies tridimensionais e inspiração Art Déco, demonstrando como pequenos formatos podem produzir ambientes extremamente sofisticados.

Esse movimento é especialmente interessante para banheiros, cozinhas, lavabos, halls e paredes de destaque.

Não é necessário revestir toda a casa.

Uma única parede pode ser suficiente para transformar um ambiente.

Grandes formatos continuam fortes

Se os pequenos formatos ganham personalidade, os grandes formatos continuam representando outra frente importante do mercado.

A lógica é quase oposta.

Em vez de destacar cada peça, busca-se reduzir visualmente as juntas.

O objetivo é criar continuidade.

Grandes superfícies podem ampliar visualmente o ambiente, criar sensação de uniformidade e permitir que materiais como mármore, pedra e cimento sejam apresentados com menos interrupções.

A Cersaie reúne soluções que exploram justamente essa escala, incluindo placas e superfícies arquitetônicas de grandes dimensões.

O resultado é uma arquitetura em que a cerâmica pode assumir papel cada vez maior.

Pequenos formatos também estão de volta

Mas seria um erro concluir que “quanto maior, melhor”.

A própria Cersaie mostra o contrário.

Pequenos formatos estão sendo usados para criar personalidade.

Uma coleção da Brick&More by Cifre, por exemplo, aposta em peças de 6 x 25 cm, cores fortes, brilho e relevo, demonstrando como formatos menores podem construir ambientes muito expressivos.

Isso revela uma das características mais interessantes do momento atual: não existe mais uma única escala dominante.

Grandes superfícies e pequenas peças podem coexistir.

A escolha depende do efeito que o projeto quer produzir.

E as cores?

Talvez seja aqui que o consumidor mais perceba a mudança.

Os neutros continuam extremamente importantes.

Areia, bege, cinza, branco e tons minerais continuam funcionando como bases versáteis.

Mas a cor está retornando de maneira mais sofisticada.

Verdes.

Azuis.

Terracotas.

Tons minerais.

Cores profundas.

A proposta não parece ser abandonar os neutros.

É permitir que eles convivam com elementos de personalidade.

A Cersaie 2026 mostra justamente essa diversidade cromática em diferentes coleções e superfícies. Uma proposta da Cifre, por exemplo, explora verde, azul e cinza em composições que misturam manchas, formas e texturas como pigmentos minerais.

Natureza continua presente — mas de uma maneira diferente

Pedra, terra, areia, madeira e materiais minerais continuam influenciando fortemente o design.

Mas existe uma diferença.

A reprodução não precisa ser absolutamente literal.

A indústria começa a brincar com essas referências.

Uma pedra pode ganhar uma cor diferente.

Um cimento pode ser reinterpretado.

Uma superfície mineral pode receber textura.

A natureza vira ponto de partida.

Não necessariamente destino final.

A arquitetura está pedindo mais personalidade

Talvez essa seja a tendência mais importante de todas.

Durante alguns anos, muitos interiores passaram a seguir uma estética extremamente parecida.

Cinza.

Bege.

Mármore.

Madeira clara.

Minimalismo.

Tudo muito bonito.

Mas, às vezes, muito parecido.

O movimento que aparece agora parece buscar mais personalidade.

Texturas.

Cores.

Pequenos formatos.

Relevos.

Mistura de materiais.

Detalhes.

A ideia não é abandonar a elegância.

É fazer com que os ambientes tenham identidade.

Cerâmica como arquitetura

A própria organização da Cersaie ajuda a entender essa transformação.

A feira não apresenta apenas pisos.

Ela envolve revestimentos, superfícies, soluções arquitetônicas, fachadas, aplicações externas e diferentes elementos para construção e interiores.

Isso mostra como a palavra “piso” já não consegue explicar tudo o que a indústria cerâmica produz.

A cerâmica está presente em paredes.

Fachadas.

Bancadas.

Mobiliário.

Áreas externas.

Espaços comerciais.

Hotelaria.

Arquitetura institucional.

É cada vez mais uma linguagem de superfície.

E o Brasil está lá

Essa parte merece atenção especial.

O Brasil não está apenas acompanhando a Cersaie.

Está participando.

A ANFACER informou que Carmelo Fior e Embramaco participam da edição de 2026 por meio do projeto setorial Ceramics of Brazil, desenvolvido em parceria com a ApexBrasil.

A Portobello também está presente com estande próprio.

Além disso, a Central do Assentador Cerâmico participa novamente do Cersaie World Tiling Lab, levando profissionais brasileiros para demonstrações de técnicas de assentamento.

Isso é mais importante do que parece.

Porque demonstra que a indústria brasileira não está isolada das tendências internacionais.

Ela participa delas.

E o que isso tem a ver com Santa Gertrudes?

Muito.

Enquanto arquitetos, designers e fabricantes do mundo inteiro circulam pelos pavilhões de Bolonha, Santa Gertrudes continua sendo um dos grandes centros brasileiros de produção e conhecimento cerâmico.

E o setor local também está discutindo seu futuro.

Entre 6 e 8 de outubro, poucos dias depois do encerramento da Cersaie, Santa Gertrudes receberá o 10º Congresso da Indústria Cerâmica de Revestimento.

A programação envolve matérias-primas, processos de fabricação, tecnologias digitais, qualidade, sustentabilidade e normatização.

É uma coincidência de calendário que diz muito.

Bolonha discute o futuro global.

Santa Gertrudes discute o futuro brasileiro.

E as duas conversas estão cada vez mais próximas.

Existe também uma questão econômica

A Cersaie não acontece em um mundo sem problemas.

A indústria europeia chega à feira enfrentando desafios relacionados aos custos de energia e à instabilidade geopolítica.

O setor cerâmico espanhol, por exemplo, está discutindo durante a feira os impactos do aumento do preço do gás e a concorrência internacional.

Isso ajuda a lembrar que, por trás de cada tendência de decoração, existe uma indústria.

Energia.

Matéria-prima.

Tecnologia.

Transporte.

Mão de obra.

Investimento.

Quando um produto chega à loja, existe uma cadeia inteira por trás dele.

O que podemos aprender com a Cersaie 2026?

Mais do que copiar uma cor ou um formato, podemos observar os movimentos.

A cerâmica está ficando:

mais tátil, com texturas e relevos;

mais arquitetônica, com grandes superfícies e novas aplicações;

mais expressiva, com cores e pequenos formatos;

mais natural, com referências minerais e orgânicas;

mais tecnológica, com processos industriais cada vez mais sofisticados;

e, ao mesmo tempo,

mais personalizada, porque os ambientes estão buscando identidade.

Essa talvez seja a maior lição de Bolonha.

Tendência não é uma regra.

É um sinal.

Ela mostra possibilidades.

Quem está construindo ou reformando não precisa copiar a Cersaie.

Pode simplesmente observar o que está acontecendo e escolher aquilo que realmente faz sentido para sua casa.

O futuro do revestimento não parece ser uma única tendência

Talvez seja justamente esse o ponto mais interessante de 2026.

O futuro não parece ser apenas o grande formato.

Nem apenas o pequeno.

Não é apenas o bege.

Nem apenas a cor.

Não é apenas o minimalismo.

Nem apenas o maximalismo.

É a possibilidade de combinar diferentes linguagens.

Grandes superfícies com detalhes artesanais.

Neutros com cores.

Pedras com texturas.

Tecnologia com referências naturais.

E indústria com criatividade.

A Cersaie 2026 ainda está acontecendo.

Mas algumas mensagens já começam a aparecer.

E uma delas parece bastante clara: o revestimento deixou de ser apenas aquilo que cobre uma superfície.

Ele passou a participar da maneira como sentimos, percebemos e vivemos os espaços.

E isso muda completamente a maneira de escolher um piso ou porcelanato.

Porque, no fim, não estamos comprando apenas uma superfície.

Estamos escolhendo parte da atmosfera de um lugar onde vamos viver.

Revista Baratão — Estamos onde o porcelanato acontece.

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